Vale a pena vender o precatório ou esperar o pagamento?
Depende de quanto tempo falta e do que você faria com o dinheiro hoje. Ceder compensa quando a espera é longa, quando há uma necessidade concreta agora ou quando o desconto oferecido é menor que o custo de esperar. Não compensa se o crédito é RPV ou se o pagamento está próximo.
A conta que realmente importa
Comparar o valor bruto do precatório com a proposta recebida é o erro mais comum — e leva quase sempre à conclusão errada, porque são coisas diferentes. A comparação correta tem três termos:
- O valor líquido disponível
- O bruto menos honorários contratuais destacados, contribuição previdenciária, imposto de renda retido e eventuais penhoras. É só isso que você tem para negociar — e é bem menos que o número do ofício.
- O tempo até o pagamento
- Quanto falta, de verdade, considerando o ano de inclusão no orçamento e a fila do seu tribunal.
- O que o dinheiro vale para você hoje
- Quitar uma dívida cara, encerrar um tratamento, resolver uma urgência. Se você tem dívida a juros altos, esperar pode custar mais que o deságio.
Quando ceder tende a compensar
Quando faltam vários anos de espera; quando há dívida com juros superiores ao deságio oferecido; quando o titular tem idade avançada ou doença grave e a espera tem custo pessoal, não só financeiro; e quando existe uma oportunidade concreta que o dinheiro à vista viabiliza.
Quando esperar é melhor
Quando o crédito é RPV, com pagamento em torno de dois meses. Quando o precatório já está incluído no orçamento do exercício corrente e a liberação é iminente. Quando o deságio proposto é maior que o custo real de esperar. E quando não há necessidade nenhuma para o dinheiro agora — nesse caso o tempo trabalha a seu favor, porque o crédito é corrigido.
O que não entra na conta, mas devia
Se você tem preferência por idade, doença grave ou deficiência, a parcela superpreferencial é pessoal: ela não acompanha o crédito numa cessão. Quem compra entra na ordem cronológica comum e perde esse benefício.
Na prática, isso significa que a parcela prioritária vale mais para você receber do que para ceder — e que a negociação tende a se concentrar no excedente, que é o que de fato continua na fila normal.